Cuba, o fetiche.

Quando eu estava no segundo grau, em Brasília, eu tinha uma professora de História fascinada por Cuba. Ela trazia textos e contava como tudo era bom aí. Como era pena que o Brasil, não seguia o mesmo caminho.

Um belo dia, em uma dessas aulas, eu a perguntei sobre as eleições. Afinal de contas, em um país democrático, com certeza as pessoas escolhiam por voto direto, os seus representantes. A professora perplexa, explicou para a turma, que Cuba não poderia ter eleições, já que tudo era “perfeito”. Logo em seguida, ele perguntei: “Mas, aqui, temos que ter eleições?”

Era na década de noventa, ainda recém saídos da ditadura, o impeachment do Collor. O ambiente político era muito instável. A professora se irritou comigo: “Precisamos de eleições, para o povo escolher os seus representantes” e aí eu: “Em Cuba, não?” A professora não me repondeu.

E foi assim, sempre que conversei com os petistas. Nunca me responderam a mesma pergunta. Uma “resposta” clássica era por conta do embargo imposto pelos Estados Unidos. Então, por conta do embargo imposto pelos Estados Unidos, os cubanos não podem votar?

Na Europa, a pergunta seguiu

A saga continou na Universidade de Viena. Durante o meu doutorado, havia um grupo de acadêmicos germanófonos, apaixonados por Cuba e por “caudilhos” estilo Hugo Chavez ou Lula. Um bastião contra o Imperialismo norte-americano.

Como sempre, eu como boa questionadora que sou, voltei com a mesma pergunta: “Por que os cubanos não podem escolher os seus representantes?” E a resposta, bem vocês já sabem.

Depois, eu sempre questionei, que esses nobres acadêmicos europeus que escolhiam livremente os seus representantes. As respostas nem sempre eram simpáticas. Alguns me falavam por questões puramente ideológicas.

Cuba foi sustentada pela antiga União Soviética. Depois passou a ser sustentada pela Venezuela. Até mesmo o Brasil, durante os governos Lula e Dilma, os cubanos receberam dinheiro através da Odebrecht por conta da construção do porto de Mariel.

De todas as maneiras, a população da ilha foi condenada a viver em uma espécie de fetiche ideológico, imposto parte das esquerdas latino-americanas.

Mas, com a pandemia, a visão ideológica romântica da ilha caiu por terra. As ajudas da Venezuela ficaram escassas. A Venezuela enfrenta problemas graves de escassez de alimentos e medicamentos. Como pode oferecer mimos para Cuba?

Os cubanos saíram as ruas para protestar, com fome. Cansaram de ser espelho de um faz de conta, que nunca existiu. A miséria os obrigou a isso, mesmo com a repressão.

Ainda não se sabe, quais serão os desfechos em Cuba. Mas, seguramente, nunca mais haverá aquela aura romântica e intocável.

Quem sabe, seja a hora, das esquerdas da América Latina, virar a página e se reorientar. Entender o que é democracia e finalmente fazer política.

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