7 de setembro: O escárnio bolsonarista

Um dia após as manifestações do 7 de setembro, o Brasil foi manchete em todos os noticiários europeus. A comparação foi com o ataque ao Capitólio, quando os apoiadores do ex-Presidente Donald Trump o invadiram, em janeiro deste ano. A manifestação bolsonarista chamou atenção, pela quantidade de pessoas que foram. Se não foi um sucesso absoluto de adesão, também não se pode simplesmente negligenciar, como vários jornalistas tentaram fazer.

Com certeza, nós deveríamos estar concentrados no principal: o combate ao vírus, que ainda está longe de ser controlado. Mais ainda, em um país que ainda não vacinou a sua população, como deveria. Inflação e o desemprego também asolam aos brasileiros. Mas, a pergunta que nós deveríamos fazer é a seguinte: Como pode ser que Bolsonaro, mesmo com o seu governo ruim, ainda possue apoio popular? Vamos colocar três principais motivos, que levaram as pessoas a irem para a manifestação do 7 de setembro, algumas não necessariamente bolsonaristas.

  • O Efeito Lula: Sim, essa é a principal razão, pela qual milhares de brasileiros ainda apoiam o Bolsonaro, sem serem necessariamente bolsonaristas. Isso se dá pela decisão monocrática do Ministro Edson Fachin que liberou o ex-Presidente Lula de suas condenações na Operação Lava Jato, no começo do ano, além da decisão da Prisão em Segunda Estância, o famoso caso do “trânsito em julgado”, onde o réu pode recorrer, caso ele não apresente pericolosidade. Esse dois fatos gerou indignação em muitos, embora exista um ponto curioso: a medida beneficia tanto Lula, como Bolsonaro, com suas pendências com a Justiça.
  • Redes Sociais: Quem trabalha com redes sociais, já conhece o nome Bolsonaro, lá de 2015 ou 2016. Bolsonaro navegou na onda anti-PT, pegou carona na Lava-Jato, na rabeira do Sérgio Moro. Depois, dispensou o juiz da Lava-Jato quando não precisava mais. Além de fazer um favor para si, fez para o Lula e vários congressistas enrolados na Justiça. As redes sociais se transformaram em um ambiente de negócios, além de manter famílias e amigos conectados, especialmente em tempos de Pandemia. Os políticos perceberam isso, especialmente os de direita e extrema-direita, quase sempre negligenciados pela imprensa, dominada pelo pessoal da esquerda. Bolsonaro não inventou o esquema de redes sociais, parcialmente montado com bots, exército de perfis falsos, influenciadores digitais, etiquetas pagas e blogs “chapa-branca”. Isso tudo vem lá de trás, com o Lulopetismo. Apenas copiaram;
  • A imprensa amiga: Esse fator também é determinante para a criação de mal-estar generalizado. A imprensa comercial que é controlada pelos governos, não importa se de “direita” ou “esquerda” faz uma imensa pressão, justamente em cima de jornalistas independentes, por conta da verbas publicitárias. Políticos gostam de boas notícias! Outro fato são as verbas de gabinete dos parlamentares. que parte é usada para pagar “jornalistas” para colocar narrativas na impresa, estilo “só uma gripezinha” ou “Lava-Jato destruiu a economia”.

Existem outras razões, como por exemplo, a adoração de políticos populistas, algo comum na política brasileira. Mas, somente os adoradores de Bolsonaro, não foram os únicos que foram as manifestações de ontem, em várias cidades brasileiras. Nesse caso, a imprensa brasileira erra ao ofender muitos de “gado”, bem como os petistas, chamando todos que pensam diferentes deles de “faschistas”. Aliás, termo proibido, aqui na Europa Central, por sua forte conotação.

Mas, em tempos de redes sociais, com o modelo de negócio das redes, baseado em engajamentos, não importa para o lado bom ou mau, esquecendo-se, que a base do jornalismo é trazer a informação e analisar o fato, sem paixões ou opiniões. Não deveria ser que as redes sociais pautem as redações. Deveria ser o contrário. As pessoas estão cansadas de narrativas e querem fatos, especialmente em tempos de Pandemia, onde a informação salva vidas.

E agora?

Os discursos de Bolsonaro são graves e atacam as instituições, como o Supremo Tribunal Federal. Esse infelizmente, nos últimos tempos, cujo Ministros tomaram decisões monocráticas e que trouxeram, além da insatisfação popular, a insegurança jurídica, muito ruim para o país. Cabe o próprio STF rever essa postura.

Por outro lado, não é admissível que um Presidente da República, eleito de forma correta, de acordo com as regras vigentes, ataque e jogue a frágil democracia brasileira no lixo.

É livre o direito de manifestar-se, mas é obrigação de respeitar as leis e a constituição do país, mais ainda no cargo de Presidente da República.

Cabe ao Congresso tomar as medidas cabíveis. Até agora, já são mais de cem pedidos de Impeachment, primeiro engavetados por Rodrigo Maia, então Presidente da Câmara e agora pelo seu sucessor, Arthur Lira.

Bolsonaro deve ser retirado do seu cargo imediatamente. Caso contrário, o Brasil vai estar condenado a ter governantes estúpidos e autoritários e sermos condenados, para sempre de sermos um país subdesenvolvido, de Terceiro Mundo.

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